#PDPExplica: Marina Melo

Oi, amores! Lá vamos nós para mais um #PDPExplica, essa seção em que explicamos a carreira e as influências de artistas mulheres que consideramos pacas (já fizemos da Melanie C e da Fergie). Essa é uma edição muito especial para nós, porque inaugura a série de entrevistas que faremos com mulheres que quebram tudo e que estão aqui do nosso lado, a começar pela paulistana Marina Melo, que tem muito a nos dizer sobre o espaço da mulher na música. Ao fim do post, resumimos o conteúdo em uma playlist do amor lá no nosso Spotify.

Vamos lá:

Marina Melo, uma “cantautora”, como ela mesma se define, nasceu em São Paulo em  30 de julho de 1990. Sua aproximação do mundo da música foi tímida, começando a estudar enquanto cursava Pedagogia. Seu íntimo queria fazer daquilo sua profissão, “mas haviam indícios claros de que eu não deveria ser cantora”, ela diz, brincando. Isso porque sempre teve dificuldade em decorar letras que não eram suas. Mas Marina resolveu seguir o instinto e dar uma chance a esse desejo. Foi quando, em 2012, assistiu ao show da banda “Pato Preto”, cujas integrantes eram responsáveis por todas as etapas do que era apresentado, que Marina Melo percebeu que as mulheres também compunham e um novo mundo se abriu para ela.

“Hoje entendo como é importante ter referência de mulheres para que a gente se sinta autorizada a fazer as coisas. Eu percebi que sem isso talvez nunca tivesse experimentado a composição, nem passava pela minha cabeça.”

Foi mesmo um insight, e a primeira coisa que fez ao chegar em casa foi compor, musicando uma letra já escrita por ela. É “Desditos”, que fecha seu primeiro álbum “Soft Apocalipse”, de 2016. Para Marina, era a peça que faltava no quebra-cabeça: ela era uma compositora. “Eu continuei fazendo – sem saber direito o que estava fazendo-, mas continuei”.

Nesse mergulho no mundo da música, a cantora e compositora Tulipa Ruiz foi a maior inspiração por conta de sua ousadia e a forma que abraçava e incorporava suas imperfeições. Marina admira a maneira com que Tulipa aceita que sua voz não é perfeita e nem tem que ser, brincando com suas possibilidades. A admiração é tanta que ela compôs a música “Pra Tulipa”, assumindo a influência da artista em sua própria obra.

Em sua trajetória como compositora, não foram poucos os surpresos com o fato de uma mulher não ser apenas intérprete, e sim responsável por letra, melodia e arranjos de suas músicas. No entanto, apesar do incômodo, Marina compreende que muitos dos comentários não são maldosos e apenas refletem um imaginário de toda a sociedade. Imaginário esse onde não cabe à mulher fazer muito mais do que as letras. “Eu mesma já pensei assim, quando enviava algumas poesias para outras bandas, de homens, musicarem.”

Em 2016, Marina reuniu suas composições (e adicionou algumas no caminho) em seu primeiro álbum, “Soft apocalipse”. Ela diz ter uma “obsessão pelo fim do mundo” e suas músicas falam sobre grandes e pequenas tragédias. Da falta de água gerada pela crise hídrica (“Dever Cívico”) à forma como lidamos com o “Dinheiro”. Do feminicídio (“Laura”) à “Saudade” de um amor. Por sua experimentação lírica, esta última é a preferida da autora (e também a mais executada da artista no Spotify). “Foi quando eu me permiti fazer um refrão que não faz sentido”, brinca. É também uma música cujo sentido há muito transcendeu o fato que a originou.  No álbum, produzido por Gabriel Serapicos, há também uma parceria de luxo: Zeca Baleiro, na faixa “Adultos”.

Sua música mais explicitamente feminista é Laura, composta durante a campanha #MeuPrimeiroAssédio, quando ficou claro para a artista o quão comuns são as violências contra as mulheres. Foi um desabafo em forma de arte, a composição mais difícil de sua vida.

A pergunta que veio foi: o que autoriza as pessoas a cometer esses atos? Por que você acha que pode fazer isso? Será que você sabe que isso gera tragédias na vida de uma pessoa? Talvez os homens não percebam isso, mas será que é possível esquecer o pavor que a gente sente quando anda na rua? Quando somos estupradas?

E o tom político está mais do que presente nas referências da “cantautora”, que anda com “Caravanas” (Chico Buarque) no repeat, que ela considera uma obra-prima “por dizer o que diz do jeito que diz”. Além dessa, “Respeita”, de Ana Cañas, “Falo” de Carne Doce, e  “Me cura de mim”, de Flaíra, são algumas das músicas que compõem as referências atuais de Marina Melo, uma artista apaixonada pelo palco e pelas composições. E que, podem anotar, ainda tem muito a dizer.

Gostou? Então ouça nossa playlist que condensa as músicas de Marina e suas influências! ♥

 

 

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